domingo, 26 de abril de 2009

ficção

Ela estava sentada em uma confeitaria qualquer, lia distraida o último romance que havia adquirido e estava completamente concentrada em sua leitura nem via as pessoas que ali estavam. Ela não o viu entrar, mas quando percebeu seu coração estava pulando ela se deu conta de que o ambiante foi tomando por um perfume maravilhoso. Ela viu-se obrigada a procurar a fonte daquele cheiro maravilhos, que a deixava quase sem fôlego...olhou em torno do ambiente mas não conseguiu detectar a fonte do seu desconcerto.
Durante aquela noite ela demorou a dormir, tinha certeza de que aquele perfume lhe era familiar e por que um cheiro mexeu tanto com ela.
Pauline tinha trinta anos, trabalhava em uma grande agência de publicidade, gostava de seu emprego mas sentia que aquilo não a completava. Afinal quem gosta de seu emprego não devia se ver o-b-r-i-g-a-d-o a ir a trabalhar, pelo menos esse sentimento de vez em quando poderia ser normal, mas quase sempre. Isso sem dúvida era um problema, mas Pauline não tinha tempo para pensar nisso agora, tinha muitas coisas para fazer no trabalho. Mas por que se torturava tanto com a ideia de ir trabalhar, sabia que era competente, executava todas suas atividades com afinco, mas o sentimento impostora a atormentava.
Muitas vezes se via tendo pensamentos do tipo: "Será que sei mesmo fazer essas coisas ou passo a maior parte do tempo tentando saber ou tentando não deixar os outros perceberem que eu não faço a menor idéia do que estou fazendo aqui?" e então se punia "Eu sou mesmo uma pessoa que não sabe valorizar o que tem, quantas pessoas gostariam de estar no meu lugar?" por fim concluia que não devia perder tempo pensando em questões que ela desconhecia as respostas, afinal o trabalho estava aumentando.
Depois de um dia duro de trabalho, sem grades acontecimentos só problemas a serem resolvidos, Pauline chegou em casa exausta. Tirou seus sapatos Christian Louboutin, deu uma longa paquerada neles, ela amava sapatos e sem dúvida esses eram poderosos e ela os adorava, guardou no armário do hall. Pauline era muito organizada e odiava ver coisas fora de lugar. Jogou sua pasta sobre o sofá, ainda tinha alguns relatórios para revisar. Neste momento sentou e lembrou do perfume que sentiu na confeitaria e ao lembra-se ficou arrepiada.

??

O que torna uma coisa errada??
o que nos torna fortes??

um dia...

eu quero não ter medo de nada...
eu espero confiar em mim mesma, sem depender da opinião dos outros...
eu quero que a semana não tenha segunda-feira...
eu quero voltar a sonhar como quando era criança...
um dia...

sábado, 4 de abril de 2009

As vezes...

As vezes...


As vezes eu me perco no meu mundo...fiz terapia durante muitos anos, foi uma experiência necessária e reveladora, neste ano resolvi caminhar sozinha...é difícil, muito difícil.
Durante a terapia descobri coisas inacreditáveis a meu respeito (isso parece papo de gente louca). Olhando para trás agora vejo tantas coisas que podiam ter sido diferentes: se EU tivesse ficado calada em determinadas situações, se EU não tivesse comprado brigas que não eram minhas...mas não dá para voltar atrás.
Mas acho que para evoluir é necessário avaliar os caminhos que já percorremos, as vezes olhando pra trás vemos que não somos tão vítimas como as vezes imaginamos...olhando para o meu caminho percorrido percebi que coloquei pessoas erradas no meu pedestal. E como é difícil ver essas pessoas hoje, sem a fantasia que havia criado para elas.
Eu sei: pessoas erram, eu erro (e muito, odeio admitir), mas passei muito tempo acreditando que tudo o que essas pessoas falavam era verdade, que tudo o que faziam era para um bem maior...pode ser uma visão bem infantil, mas era a minha visão de mundinho cor-de-rosa...
Tenho tido muitos desentendimentos com uma dessas pessoas que eu idolatrava, esse tipo de coisa nunca acontecia. Agora, eu vejo que os desentendimentos não aconteciam porque eu estava cega, mas eu me deixei ficar cega e quando a luz bate nos olhos depois de ficar um tempo na escuridão dói. Machuca ver certas atitudes, escutar frases e sentir o coração gelar...
As vezes eu me perco na escuridão dos cantos da minha vida...logo a luz vem. Pessoas boas que te dão esperança só por estarem próximas.
Obrigada a todos os anjos de luz que de alguma forma passam pela minha vida.